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Posicionamento · Marca pessoal

O terceiro caminho: como construir uma marca pessoal com múltiplos interesses (sem ficar genérico)

A estratégia para unir paixão, referência e monetização em um posicionamento que respeita quem você é, sem escolher entre nicho único e generalismo raso.

EstratégiaPor Tácio Itambé11 min de leitura
Árvore com tronco central e galhos verdes, representando pilar principal e pilares secundários de uma marca pessoal
Um tronco. Vários galhos. É assim que uma marca pessoal complexa se organiza sem virar bagunça.

Você não precisa escolher entre um nicho único e falar de tudo. Existe um terceiro caminho, e é o que grandes marcas pessoais fazem.

Você já ouviu o clássico dilema do criador de conteúdo: escolha um nicho ou fale sobre tudo. Se você tem múltiplos interesses, essa escolha costuma ser angustiante. De um lado, a pressão para escolher um único assunto, marketing digital, fitness, finanças, e não falar sobre mais nada. Isso garante foco, mas costuma sufocar o criador, engessar a personalidade e transformar a criação de conteúdo num fardo.

Do outro lado, o caminho oposto: falar sobre absolutamente tudo, viagens, hobbies, opiniões aleatórias. O problema é que a audiência não entende qual é o seu lugar no mundo. Você vira um pau para toda obra, mestre de nenhum, e tem dificuldade de ser reconhecido como referência ou de monetizar o que sabe.

Mas e se existisse um terceiro caminho?

Esse é o método aplicado por grandes estrategistas de marca pessoal: identificar um tema principal (o mais monetizável, o que gera mais autoridade) e, em vez de descartar os outros interesses, organizá-los numa escala de prioridade que complementa e enriquece a mensagem central. É disso que este artigo trata.

O que é o terceiro caminho

O terceiro caminho é uma estratégia de posicionamento em que o criador usa content buckets, categorias de conteúdo, organizados hierarquicamente. Em vez de ter apenas um assunto (o nicho único) ou nenhum (o generalista), você define um Pilar Central e Pilares Secundários que apoiam a mensagem principal.

A metáfora que resolve

Imagine sua marca pessoal como uma árvore. A raiz e o tronco são o Pilar Central, o tema principal, aquilo que atrai o público inicial, resolve a maior dor da audiência e sustenta o negócio. Os galhos são os Pilares Secundários, seus outros interesses, que dão beleza, cor e humanidade, e conectam-se com dores e curiosidades laterais.

Ela existe porque as pessoas são complexas. O marketing tradicional tentou engessar criadores em caixinhas de especialistas únicos para facilitar o algoritmo. Mas grandes marcas pessoais provaram que a audiência moderna busca conexão humana: as pessoas querem aprender com alguém que admiram, e essa admiração vem tanto da competência técnica (Pilar Central) quanto dos valores e do lifestyle (Pilares Secundários).

Por que isso importa (muito)

A importância dessa estratégia mora em resolver dois problemas silenciosos do criador de conteúdo:

  1. 01O bloqueio criativo e o tédio. Quando você é obrigado a falar de um assunto só, a criação vira fardo. Integrar interesses libera repertório, entusiasmo e ritmo, sem perder o foco do negócio.
  2. 02A dificuldade de diferenciação. Todo mundo sabe explicar o básico de marketing, investimentos ou fitness. O que diferencia um criador do outro é o ângulo, e o ângulo é construído pelos seus interesses secundários.

Dois criadores podem falar de marketing. Um foca em marketing para introvertidos (a partir do interesse por psicologia). O outro foca em marketing com alta performance (a partir do interesse por esporte e disciplina). Mesmo tema, ângulos totalmente diferentes, e públicos altamente qualificados para cada um.

A regra da monetização

No exercício do terceiro caminho, o tema principal deve ser escolhido com base no potencial de monetização e na demanda de mercado, não só na paixão. Culinária pode ser um hobby lindo, mas o mercado pode estar saturado ou o público pode não pagar caro. Marketing, finanças, saúde e relacionamentos costumam ter apelo comercial maior. Você usa o pilar principal para sustentar o negócio e os secundários para expressar quem você é.

Os três componentes do posicionamento

1. O Pilar Central: autoridade e negócio

É o tema em que você se posiciona como autoridade. É o assunto que atrai gente com problemas específicos que você resolve, e é onde entra a venda de mentorias, serviços, consultorias, produtos. Exemplos: Marketing Digital, Gestão Financeira, Programação, Gestão de Instagram.

2. Os Pilares Secundários: conexão e lifestyle

São os temas que te completam e geram identificação com a audiência. Humanizam a marca e expandem o alcance. Exemplos: desenvolvimento pessoal, leitura, bem-estar, viagens, relações, cultura.

3. O Ângulo Único: a interseção

É a mágica: cruzar o Pilar Central com um Pilar Secundário. É onde nasce o diferencial. Falar sobre a dificuldade de se cobrar caro (desenvolvimento pessoal) dentro de atendimento a clientes (marketing) é um ângulo. Falar sobre organização da rotina (produtividade) para quem vive de conteúdo (marketing) é outro.

Tronco central estruturado com galhos ramificando em várias direções
Um tema forte no centro. Vários galhos apoiando. É esse desenho que dá clareza para quem chega no seu perfil pela primeira vez.

O exercício prático, passo a passo

Passo 1: Brainstorming de interesses

Pegue papel e caneta (ou um documento em branco) e liste tudo o que você gosta, estuda, consome ou já fala nas redes. Não censure nada. Exemplos: marketing, desenvolvimento pessoal, estudos, leitura, culinária, viagens, psicologia, organização, cinema.

Passo 2: Escolha o tema principal

Olhe para a lista e identifique qual tema tem o maior potencial de gerar renda e atrair um público disposto a investir em soluções. Esse é o seu Pilar Central. Regra prática: se você tivesse que vender um serviço amanhã, sobre qual desses assuntos o mercado paga com menos fricção?

Passo 3: Monte a escala de prioridade

Organize os outros interesses do mais relevante para o menos relevante em relação ao seu público-alvo:

  • Prioridade alta: os que conectam diretamente com as dores da profissão (ex: desenvolvimento pessoal para quem atende cliente).
  • Prioridade média: os que reforçam autoridade intelectual (ex: estudos e leitura).
  • Prioridade baixa: lifestyle puro (ex: culinária, viagens), usados para conexão emocional em doses controladas.

Passo 4: Cruze os temas (o pulo do gato)

Aqui está a etapa que a maioria pula. Não basta falar de um assunto na segunda e de outro na terça, aleatoriamente. Os temas precisam conversar. Exemplos concretos de cruzamento:

  • Marketing + Desenvolvimento pessoal: “Como lidar com a síndrome do impostor ao cobrar caro pelos seus serviços.”
  • Marketing + Leitura: “3 livros que li este mês e como apliquei a ideia do autor X na minha estratégia de anúncios.”
  • Marketing + Viagens: “Como organizar a rotina de conteúdo de um cliente enquanto viajo por dois meses.”

O tema principal segue protagonista. A sua personalidade é o que torna o conteúdo único, atraente, e impossível de copiar.

Erros comuns (e como não cair neles)

  • A bagunça temática: falta de hierarquia. O criador posta 40% de culinária, 40% de viagens e 20% de marketing. A audiência fica confusa e a marca perde foco comercial.
  • Falar por falar: inserir interesse secundário sem conectar com o principal. Foto de prato sem contexto, sem aprendizado, sem ponte com o que você vende.
  • Medo de ser repetitivo: o criador acha que a audiência vai cansar do tema principal. Na verdade, a audiência quer que você seja conhecido por aquilo.

Boas práticas

  • Regra 70/30: mantenha 70-80% do conteúdo no Pilar Central e nos cruzamentos. Os outros 20-30% podem ser lifestyle puro para gerar conexão.
  • Conheça a dor real do público: use interesses secundários como ferramenta para aliviar dores específicas de quem consome o tema principal.
  • Defina um tom de voz consistente: se o tema principal é sério (finanças) e os secundários são leves (humor), encontre o equilíbrio, dá para ser a marca financeira mais leve do Instagram.
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Perguntas que sempre aparecem

E se meus interesses forem opostos?

Ótimo. Contraste é memorável. Uma médica que fala de crossfit, um advogado que fala de música, um contador que fala de meditação, o inesperado prende. O que não pode existir é falta de hierarquia.

Posso mudar meu tema principal no futuro?

Pode. Marca pessoal evolui. Mas mantenha o tema principal por 12 a 18 meses no mínimo, para que a autoridade seja construída antes de migrar o foco do negócio.

Como sei qual é o meu tema mais monetizável?

Faça o teste de demanda: o que as pessoas mais pagam para aprender ou resolver? Quais problemas geram urgência no seu círculo de atuação? Áreas ligadas a dinheiro, saúde e relacionamentos costumam ter o maior apelo comercial.

Devo criar perfis separados para cada interesse?

Não. Num mundo conectado, as pessoas querem seguir uma pessoa, não uma marca fragmentada. Perfis separados dividem sua audiência e multiplicam seu esforço. Use a força da sua marca pessoal para reunir tudo em um só lugar, com hierarquia clara.

Fechando

O terceiro caminho não é sobre falar menos ou falar mais. É sobre falar com estrutura. Um tronco forte que sustenta o negócio. Galhos que mostram quem você é. E um ângulo que só existe porque você existe. Se você tem múltiplos interesses e vinha se sentindo perdido entre nichar e não nichar, começa por aqui: escolha o tronco. O resto ganha lugar naturalmente.

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